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Reflexões necessárias a partir de um momento de crise econômica

luizbelloni

 

"Para todo problema existe uma razão e para combater o problema é necessário ir até a razão". A última crise mundial, e ainda com profundos reflexos, teve início nos EUA. A razão principal dela se deu no contexto imobiliário, originária do fato dos bancos haverem oferecido uma quantidade enorme de crédito ao setor, incentivando consideravelmente às vendas. Com a facilidade dos financiamentos os americanos foram às compras felizes e contentes à aquisição de novos imóveis. Por conseqüência deu-se um super aquecimento na área, elevando o preço dos imóveis e nas prestações dos financiamentos. Em um segundo momento, já fruto do efeito contrário, os americanos ficaram desgostosos por pagar preços exorbitantes nos imóveis e nos juros das hipotecas, começaram, de maneira maciça, inadimplir junto aos bancos. Com o elevado grau atingido os agentes financeiros ficaram impedidos de oferecer créditos a outros setores, advindo daí a desvalorização da moeda, o desemprego, a diminuição da circulação do dinheiro e, dentre outros fatores, o desaquecimento econômico da maior economia do mundo.

Os reflexos foram imediatos em muitos países. Não há como comparar a estrutura da economia brasileira com a americana, fato este que me trás uma preocupação que muitos políticos e profissionais da área econômica estão deixando passar em branco, ou seja, o que aconteceu nos EUA está se dando aqui com um agravante, ou seja, não exclusivamente na área imobiliária. A elevação do grau de endividamento dos brasileiros é evidente, conforme dados estatísticos, e ele advém, principalmente, da área automobilística, tecnológica, eletrodoméstica, de máquinas e equipamentos, além dos próprios serviços. Este endividamento é decorrente da facilidade de condições que as instituições financeiras disponibilizam recursos à aquisição de bens e serviços e financiamento de dívidas às empresas, ao comércio e, principalmente, às pessoas físicas. Os longínquos prazos para os pagamentos das compras e serviços endividam pessoas físicas e jurídicas e grande parte delas tendem a atingir seus limites de endividamento, já que os brasileiros têm espírito consumista por tradição. Poderia discorrer aqui muito sobre esta última frase, mas por não entender o momento oportuno em razão do objeto do tema central, cito apenas a ambição do conforto e o espírito de competitividade das pessoas, além da concorrência proveniente do meio empresarial. Atingindo o ponto crucial (limite) sobressairá uma opção: o pagamento das prestações dos bens adquiridos há muito tempo atrás, alguns até mesmo já sucateados face ao longínquo período temporal dos financiamentos, ou a aquisição de produtos básicos à subsistência. A opção é óbvia e não merece delongas. O perigo está quando os números estatísticos já divulgados sobre a evolução do grau de endividamento atingir o ápice; a inadimplência em massa ocorrerá e diferentemente do ocorrido nos EUA, atingirá não só o campo imobiliário, mas sim o de eletrodomésticos, o de tecnologia, o automobilístico, o de serviços e outros. Com isso o caos econômico se instalará e o tombo será grande. Para que o risco exposto se torne literalmente incapaz de advir passa, inicialmente, pela própria preocupação da possibilidade do acontecimento, fato que infelizmente poucos economistas vislumbram, e, na seqüência, na tomada de práticas governamentais que resguardem a economia do eventual feito. Entendo inoperante e perigosa a idéia do governo incentivar os bancos colocarem dinheiro na mão dos contribuintes via financiamentos para o aquecimento da demanda, tendo como contrapartida do feito a geração de mais empregos e, conseqüentemente, mais arrecadação pública, via impostos. Entendo que a aplicação e a organização de políticas de ressarcimento de perdas salariais à classe trabalhadora seriam bem mais salutares.

O Brasil não atingiu o crucial referido por dois aspectos específicos: 1 - empresas que possuíam ativos estrangeiros perderam muito e agora estão buscando fazer investimentos no próprio país, apesar de estarem se deparando com um entrave, a expansão da economia chinesa; 2 - a elevada taxa de juros, Selic, praticada pelo governo (quando deveria ser o contrário) com o intuito de frear o consumo de bens duráveis e não duráveis, mesmo considerando o espírito consumista dos brasileiros, já referido anteriormente. Essas situações são temporárias e não suficientes para impedir o risco de recessão ante uma generalizada diminuição da demanda.

 


Luiz Henrique Belloni Faria

Presidente da Ordem dos Economistas de Santa Catarina


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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