Vinaora Nivo SliderVinaora Nivo SliderVinaora Nivo SliderVinaora Nivo Slider

“Você não vai ler aqui nenhuma novidade, nenhuma ideia nova, apenas uma síntese de muito que já vem sendo dito em economia nos últimos tempos com intenção de questionar e abrir um debate”.

O Brasil esteve em crescimento contínuo nos últimos anos, passou muito bem à crise de 2008. Na época foi só uma “marolinha”, como dito pelo então Presidente da Republica, Luiz Inácio Lula da Silva, referindo-se à crise, que não impactou significativamente no crescimento econômico àquela época.

Esse foi um discurso muito escutado entre os anos de 2008 e 2012, entretanto hoje falamos (nosso governo fala) de uma nova crise mundial que está abalando nossa estabilidade econômica. Que crise mundial?

Passamos um período de crise mundial bem, graças à “substituição” das políticas de exportação pelas políticas comerciais internas. Como o mercado externo estava desaquecido e o interno tinha grande potencial de expansão, bastava aproveitar esse potencial interno e seguir crescendo a economia brasileira. E deu certo! Passamos um período de crescimento sustentado pelo mercado interno. Mas como desenvolver esse mercado interno?

O mercado interno depende de alguma receita, e essa receita depende significativamente do mercado externo. O desafio era fomentar o mercado interno para reduzir essa dependência das exportações e tornar o Brasil menos suscetível às crises sistêmicas, ou seja, independente economicamente do resto do mundo.

E não é que deu certo? Pelo menos por um momento.

Mercado interno foi sustentado pelo financiamento público. Financiamento público foi sustentado pelo endividamento público. Endividamento público seu deu com atração de capital devido aos juros atrativos em uma economia estável.

Esqueceram algumas regras básicas da economia. Não existe almoço grátis, mais moeda em circulação gera inflação, com inflação o brasileiro perde poder de compra e tende a desaquecer a Economia.

Essa expansão monetária que acarretou na inflação se dava artificialmente através de emissão de títulos públicos, ou seja, aumento do endividamento público. Se ontem determinado percentual era atrativo ao investidor, hoje com inflação e economia desaquecida, o Brasil perde, ou corre o risco de perder, o grau de investimento.

Mas se aumentar a taxa de juros para manter o Brasil atrativo, como fica o mercado interno?

Parece-me que se esqueceu de fazer essa análise o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Chegamos a um patamar em que o endividamento público subiu demais. A inflação bateu na porta e já está entrando, com seus 6, 7, 8, 8,13% ao ano de perda de poder de compra da população (IPCA). Para estabilizar isso e continuar atrativo aos investidores, o Brasil se obriga a elevar a SELIC aos 11, 12, 13, 13,25% ao ano, até o momento, mas com tendência de leva alta.

O financiamento público não se sustenta mais. Hoje os juros e amortização da dívida pública consomem expressivamente o orçamento do governo, impossibilitando reformas estruturais necessárias para o desenvolvimento social e econômico. Quando me refiro a social e econômico, não cito apenas estradas, portos e infraestrutura, mas falo também de investimentos em saúde e educação, no social de modo geral, necessidades básicas do cidadão brasileiro.

Já vemos nos noticiários reflexos desse excessivo endividamento público com cortes nos financiamentos do BNDES e necessidade em aumentar a arrecadação fiscal do governo. Mais ações necessárias, mas que vão impactar no mercado interno.

Então temos uma situação que o governo não consegue mais fomentar o mercado interno. Mas e como anda o mercado interno?

O mercado interno me parece que está saturando. Não tenho aqui dados concretos sobre o aumento do endividamento privado, entretanto, quando se disponibiliza muito crédito à população, a tendência é que a mesma tenha sua renda compromissada e fique um período sem capital disponível para novas aquisições. Outros fatores que desaquecem o mercado interno são o aumento das taxas de juros e da inflação, que provocam diminuição do poder de compra da população. Ainda há setores em expansão, mas a grande parte da população economicamente ativa está começando a sentir os efeitos.

E qual a situação do Brasil no mercado externo?

No período de bonança no mercado externo, a economia brasileira navegou conforme o vento. Foi relativamente bem, pois foi favorecida pelo bom preço das commodities. Fez barulho e chamou atenção, mas careceu de melhorias em infraestrutura e políticas comerciais que beneficiem o comércio visando sempre o longo prazo. Ou seja, vendeu bem, mas gastou mal. Gastou demais no social, pois era uma necessidade e bandeira dos governantes no poder, entretanto não investiu o suficiente. O reflexo negativo desse tipo de gestão populista tarda, mas não falha, infelizmente.

Hoje, com desaquecimento do mercado interno, novamente precisamos bater à porta dos estrangeiros para oferecer nossos produtos. Só que temos dificuldades: Não somos competitivos.

Nossos preços estão altos devido a uma combinação de fatores já conhecida pelos brasileiros, denominado “custo Brasil”, que entre outros motivos, é a consequência da péssima infraestrutura logística combinada com a burocracia e com os altíssimos encargos federais, estaduais e municipais. Como dito, tudo isso não é novidade.

Outro ponto que pesa é o risco em que o mercado brasileiro está inserido. Falta diversificação. Enquanto boa parte da economia brasileira é dependente da exportação de commodities, do mercado imobiliário e automotivo, outros países buscam cada vez mais reduzir seus riscos, diversificando e reduzindo suas dependências. Um exemplo é a China, que trabalha na substituição, ou pelo menos diminuição na dependência de minério de ferro importado, o que nos afeta diretamente.

Entretanto o que fazemos?

Até 2014 dificultamos relações com alguns países de economia relevante, como no caso dos Estados Unidos, que estremeceu as relações comerciais devido à espionagem. Outro caso polêmico é com relação à Indonésia, país que também teve as relações bilaterais estremecidas devido à execução de dois brasileiros, condenados por tráfico de drogas. Se lembrar dos casos polêmicos, ainda fomos chamados de “anão diplomático” por um cidadão de Israel, atitude infeliz e possivelmente impensada, mas não poderia ser um ponto de vista espontâneo de mais estrangeiros a respeito do Brasil na atualidade?

Qual é a verdadeira imagem que estamos transmitindo?

Se hoje o Brasil passa por uma crise, já é sabido que não é crise externa, mas uma crise de confiança.

Hoje os empresários brasileiros pensam duas vezes antes de investir e contratar nova mão de obra. Hoje os investidores pensam com mais cautela antes de aplicar seu dinheiro aqui, apesar das altas taxas de juros. Hoje muitos brasileiros pensam duas vezes antes de se meter em mais dívidas para compra de imóvel, carro ou bens de consumo, seja por alto endividamento, taxas de juros mais altas ou simplesmente medo de futuramente não poder conseguir arcar com as dividas contraídas nesse momento de instabilidade econômica.

Mas veja que nossa inflação ainda está longe dos patamares de vinte ou trinta anos atrás. Veja que nossa taxa de juros ainda está muito mais baixa que já esteve. Veja que nosso desemprego está baixo. Não estamos numa curva ascendente de crescimento econômico, mas estamos muito fortalecidos em relação há outros tempos, como na abertura econômica, no inicio dos anos 90.

E se o momento é de desconfiança, o que fazer?

Agora é hora de reconquistar a confiança na economia. É hora de subir os juros e mostrar aos banqueiros, aos investidores externos, às indústrias que somos sim um país responsável e comprometido. É hora de reduzir gastos públicos para mostrar para os brasileiros que o governo está comprometido com uma reforma, há tempo necessária.

É hora de manter o câmbio flutuante, mesmo quando estiver relativamente desvalorizado. Não só porque a valorização artificial custa caro aos cofres públicos, mas é importante nesse momento um câmbio desvalorizado em um ponto que os exportadores se beneficiem com preços mais competitivos e não tenhamos impactos negativos relevantes em outros setores. Assim como temos impactos negativos com o câmbio desvalorizado, também temos impactos positivos.

Talvez assim num futuro não tão distante consigamos um resultado positivo na balança comercial com superávit primário, pois só com um saldo positivo na balança comercial e com redução de gastos públicos, conseguiremos reduzir alguns dos grandes pesos do Brasil, que são: alta dívida pública, carência de infraestrutura e alta arrecadação tributária.

Será que nossos governantes estão no caminho certo? Ainda é cedo pra dizer, mas me parece que há mais vontade (necessidade) política nesse governo que havia na gestão anterior, apesar da mesma presidente. Afinal na atual conjuntura um equilíbrio das contas públicas é inevitável.

Infelizmente apenas boa vontade não basta. Em muitas situações é preciso encarar sacrifícios através de medidas impopulares no curto prazo, e isso pode derrubar um governo que está com a popularidade em baixa.

Será que nossos governos vão encarar a insatisfação popular e adotar um planejamento de longo prazo? Será que já estão fazendo isso neste inicio de 2015? Ou será que as medidas até então tomadas são insuficientes para a retomada do crescimento econômico?

Autor: André Gustavo Schneider – Economista Presidente da Seccional Norte da Ordem dos Economistas de Santa Catarina e Sócio proprietário da LEGADO – Soluções Financeiras

Revisor: Ernani Hudler - Economista

andre g_schneider 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 logo rumadesign